segunda-feira, maio 21, 2007

Nada mudou

A hipocrisia continua a reinar no Rio de Janeiro, assim como no mundo.
Os americanos dizem estar contra o terrorismo porém esse não tem um só rosto.
Sejam estes Bin Laden, Saddam, ou qualquer outro... que dependendo dos interesses são até aliados (não tem a ideologia do "nada-a-perder" dos homens bomba) , sempre se salvam e manipulam seu povo tão masacrado não só por eles como pelo mundo.
O terrorismo está sim no rosto e no coração destes oprimidos por seus ditadores e pelo sistema mundial que distribui muito para poucos e nada para muitos.
É facil combater o falso inimigo!
É fácil combater o Afeganistão, o Iraque... sejá qual for o próximo... ou mesmo no caso da Palestina

O terrorismo encarado como motivo de guerra e não como resultado de graves falhas no bem estar social do mundo, só pode ser interpretado como pretexto, como sempre acontece ao promover-se guerras, para "movimentar a economia" (ou seja favorecer muito, uns poucos). Incentivam a indústria do pânico, enquanto podiam movimentar seu capital com intuito de gerar menos ódio do que vem cultivando em função das desigualdades e guerras que exploram.
Quanto sentimento de exclusão entre povos as guerras não geram, acentuando as desigualdades?

É difícil combater invisíveis, que não sabem muitas vezes nem o “por que”, só sabem que não tem nada a perder, já lhes tiraram tudo, se é que conheceram algo, ou já nasceram na condição de excluídos de tudo. Que atacam seu próprio desejo, que destrõem aquilo que não podem ter. Estes apenas lutam com os que vem ao seu confronto.

Os governantes dizem estar contra o tráfico de drogas pelo fim da violência. Encaram a violência como resultado do financimento dos consumidores de drogas. É fácil colocar a culpa em quem compra drogras pela atual violência no Rio e não encarar a situação com todo o peso de desigualdade social que ela traz.
É fácil reprimir o usuário por alguns trocados, movimentando a economia também para o lado "oposto" ao do tráfico.
Dificil é acabar com um sistema que "emprega" milhares de sobreviventes da exclusão. Será que a violência iria diminuir ou aumentar com a suposta decadência do consumo de drogas resultado da repressão? O que se tornariam os milhares de desempregados do tráfico?? Pacíficos franciscanos que abririam mão de toda a ostentação de zona sul do rio, que não se sentiriam no mínimo excluídos das realidades mostradas nas novelas recheadas de apelos consumistas fora da realidade da maioria.

Agora o crime começa a se expandir, extrapolar o limite das favelas, o apelo consumista não dá mais vazão aos bolsos dos filinhos de papai? Ou será que virou fashion, ganhou respeito, espaço na mídia, ser bandido?
Desde sempre a humanidade fez uso de substâncias para alterar sua percepção e consciência. O país mais “rico” do mundo (EUA) gasta cifras inimagináveis para nós, com o intuito de acabar com este problema, por que não acabar logo com a fonte do problema?
Acabar com a hipocrisia moralista que impera e legalizar as drogas, fazer o combate com a prevenção e ajuda psicologica, e ver o dinheiro desse consumo ir para seus DEVIDOS FINS, por vias legais, em fim gerar impostos sobre eles.
Basta saber se no meio do caminho os grandes geradores da violência no Brasil, não iriam desviar também mais este dinheiro público.
Hoje o trabalhador brasileiro é um dos que paga as mais altas taxas para o governo, e não tem retorno, nem para si próprio nem para os mais necessitados. (mais do que um cidadão da Alemanha)
Por exemplo o brasileiro paga impostos para saúde, paga seu plano de saúde, paga para o deficiente no sinal de rua, paga impostos de saúde de seus empregados que ainda assim tem que pagar seu remédio e atendimento... Em fim, paga o preço de não poder bancar todos os rombos nos cofres públicos, todas as desigualdades, que o desvio e a aplicação indevida em factóides do dinheiro público geram.
Aí sim com a liberação das drogas e a diminuição do tráfico, seria necessária uma real análise das aplicações sociais do dinheiro público. Pois acabar assim com um setor que movimenta mais cifras que muita indústria, ia deixar muita gente na mão e como a luta é pela sobrevivência se ninguém tomar nenhuma providencia a saída mais uma vez será a violência.

Rio, 19/03/2004

Um comentário:

Unknown disse...

Gente, é o discurso capitalista que a gente tava falando sábado e eu nem tinha lido seus pensamentos...